21
Novembro
2014

A dupla moral da JBS

A “gigante” oferece menos de 1% de aumento

En Montevideo, Amalia Antúnez
20140815-CelioAlves714-1Foto: Lucía Iglesias
O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Carne de Criciúma e Região (SINTIACR) rejeita uma proposta de aumento salarial, por considerar vergonhosa.

Em 20 de novembro passado, a empresa convocou o Sindicato para uma reunião onde apresentou a mesma proposta que os trabalhadores já haviam rejeitado na segunda rodada de negociações coletiva com a transnacional produtora de carnes.

A Rel dialogou com Célio Elias, presidente do SINTACR, para conhecer as medidas que serão tomadas após este fracasso na negociação, e também para obter uma análise sobre a atitude displicente adotada pela empresa.

“A proposta da JBS é miserável em termos salariais e amoral no que se refere à retirada dos benefícios. Neste caso a empresa oferece um reajuste de 0,91 por cento e pretende mexer no modelo de seguro de saúde, conquistado pelo nosso sindicato há 20 anos”, destaca Célio.

O plano de saúde dos trabalhadores da unidade da JBS de Forquilinha, em Santa Catarina, e Carambeí, no estado do Paraná, consiste no desconto de 28 reais (11 dólares) do salário, sendo este montante destinado ao seguro.

“É uma vergonha que a maior empresa produtora de proteína animal do mundo pretenda oferecer um aumento inferior a 1% e, além disso, passe a descontar dos trabalhadores quase o dobro do valor atual em seguro de saúde, 52 reais (20 dólares), tendo que somar a este desconto a quantia de 104 reais (41 dólares), por cada membro da família do trabalhador, o que para nós é uma coisa inadmissível”, enfatiza.

O dirigente afirmou que este benefício é fruto de uma longa luta do Sindicato e que, além de ser um direito conquistado, é também uma obrigação social da empresa devido às condições insalubres de trabalho contidas na indústria frigorífica.

“Esta proposta de mexer no seguro de saúde nos pegou de surpresa, mas já reagimos. Realizamos uma grande manifestação na frente do frigorífico em Forquilinha e, na semana que vem, faremos mobilizações na frente das várias fábricas frigoríficas da JBS da região.

Continuamos com atos no centro da cidade de Criciúma para fazer com que toda a sociedade saiba bem como a JBS trata os seus trabalhadores”, informou.

JBS “a maior”
E a mais miserável

Esta empresa, tristemente conhecida entre os trabalhadores por sua política de exploração do trabalho e por seu desprezo visível pelos seus funcionários, é também uma das que mais sofre ações na justiça do trabalho do Brasil.

Recentemente, o Tribunal Superior do Trabalho de Santa Catarina condenou a JBS por danos morais coletivos devido às péssimas condições de trabalho de sua unidade localizada em Forquilinha.

Esta é a quinta multa milionária que a transnacional deve pagar por descumprimento das condições adequadas em seus frigoríficos.

Para Célio Elias, a transnacional se mostra completamente displicente para com os trabalhadores e, para ele, isto se deve ao fato de a JBS quase ter o monopólio da indústria frigorífica do país.

“Esta displicência presente no Grupo JBS se deve, entre outras coisas, a que a empresa possua quase o monopólio da atividade frigorífica, amparada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), organismo encarregado de regular as atividades econômicas, e que, além disso, para financiar tantas multas conte com o aval do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), órgão financeiro que administra o capital público, tanto dos trabalhadores como do Estado”, analisa.

“Neste sentido – continua Célio – nossa estratégia a partir de agora será a de focar nas denúncias feitas a estes dois organismos. Estamos organizando para o início do mês de dezembro uma mobilização na cidade de São Paulo, em frente aos escritórios de ambas as entidades”, destacou.

Para o dirigente, o apoio da Rel-UITA será fundamental para esta nova etapa de luta, visando a que esta companhia passe a tratar os trabalhadores como seres humanos.

 “Este monopólio está prejudicando muito os trabalhadores da transnacional no país, portanto é necessário que tanto o Cade como o BNDES revejam sua postura para com a JBS”, finalizou o sindicalista.

 

20141121-CelioEliaspie714Foto: SINTIACR

Trad. publicada por: Darío Falero