14
Janeiro
2016

Esquizofrenia antisindical

En Montevideo, Amalia Antúnez
20160114 artur714

Foto: Gerardo Iglesias

Desde outubro de 2015, os trabalhadores da BRF, transnacional do setor de carnes, vêm negociando a assinatura de um novo acordo salarial. A empresa, uma das mais poderosas do mundo neste setor, oferece um pequeno reajuste que não chega sequer a cobrir a inflação atual.
Em diálogo com A Rel, Artur Bueno de Camargo, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Alimentação e Afins (CNTA Afins) lembrou que a única unidade que chegou a um acordo foi a de Uberlândia.

Não foi o que aconteceu com os frigoríficos que operam no Paraná, que já declararam greve. Em Mato Grosso, no município de Lucas do Rio Verde, estava marcada uma reunião para a terça-feira 12, e que nunca aconteceu.

“Estamos viajando para o Paraná para podermos nos reunir com a comissão negociadora da empresa, devido a que o conflito já foi iniciado em três frigoríficos deste estado. Além disso, a cúpula dos diretores que negociam com a CNTA também já se dirigiu para lá”, informou Bueno de Camargo.

De acordo com o dirigente, se desta nova reunião não surgirem avanços positivos para os trabalhadores do frigorífico da BRF em Lucas do Rio Verde, certamente tomarão as mesmas medidas que os seus companheiros do Paraná.

A BRF fechou um acordo de reajuste inflacionário com os trabalhadores de Minas Gerais, mas em Mato Grosso e no Paraná ofereceu um aumento inferior ao IPC do período. A empresa também quer que o aumento seja aplicado de forma escalonada, conforme o salário de cada trabalhador.

O curioso do caso é que a comissão negociadora da empresa é a mesma para todos os frigoríficos da região sul.

Consultado sobre por que a empresa apresentou propostas diferentes nos três estados onde opera, sendo que a comissão negociadora é a mesma, o dirigente sindical disse que a BRF não tem respostas para esta pergunta. 

“Não há nenhum tipo de justificativa para a conduta da empresa diante deste assunto”, declarou Bueno de Camargo.